Voltar

Notícias e Eventos

Últimas entradas sobre a nossa atividade

04 dezembro 2019

Abortamento de repetição

O aborto é definido como uma perda fetal antes das 22 semanas de gestação, ou a perda de um feto com peso inferior a 500g. O aborto espontâneo é uma adversidade comum, que ocorre em cerca de 15-25% das gravidezes.

O abortamento de repetição (AR) é classicamente definido como a ocorrência de três ou mais abortamentos espontâneos, consecutivos, antes das 20 semanas de gestação, com o mesmo pai biológico, e afetam 1 a 5% das mulheres em idade reprodutiva. Um sinal de sangramento ou de alguma anomalia no decorrer da gravidez, naturalmente cria ansiedade e medo, sobretudo a quem já vivenciou este problema.

Assim, na prática clínica, é habitual o início do estudo na tentativa de encontrar um motivo ao fim do segundo abortamento. As causas possíveis podem ser diversas, tais como as genéticas, anatómicas, endócrinas, imunológicas, infeciosas, trombofílicas e idiopáticas. Cerca de metade dos casos permanece inexplicável após investigação. A causa genética é responsável por cerca de 50% dos casos de abortamento antes das 10 semanas de gravidez e aumenta com a idade materna.

O estudo citogenético do produto de concepção deve ser realizado após a 3ª perda consecutiva e caso revele anomalias, deve ser realizado o cariótipo dos pais. Casais com AR e cariótipo alterado têm um risco superior a 70% de um novo abortamento, por isso, deve ser oferecido o diagnóstico genético pré-implantatório, que se realiza num ciclo de fertilização in vitro. As anomalias anatómicas congénitas (por ex. útero septado e útero bicórneo) e os distúrbios adquiridos, como os fibromiomas e as sinéquias uterinas, são causas pouco frequentes de AR. O diagnóstico pode ser feito por ecografia (2 ou 3D), histerossalpingografia ou ressonância magnética. O útero septado, os fibromiomas dentro da cavidade uterina, pólipos e sinéquias podem ser corrigidas cirurgicamente por histeroscopia. As trombofilias são um grupo de doenças pouco frequentes, que provocam alterações da coagulação do sangue, aumentando o risco de trombose. Pode haver formação de pequenos trombos nos vasos da placenta, levando ao abortamento. O tratamento pode incluir anticoagulantes como a heparina e antiagregantes plaquetários como a aspirina.

Diabetes Mellitus e as alterações da tiróide (híper ou hipotiroidismo) são as causas endócrinas mais importantes, que podem estar relacionadas com abortamento, quando mal controladas. Tóxicos e fatores ambientais também se podem associar ao AR, quando existe uma exposição materna prolongada. Estamos a falar de tabagismo, consumo de drogas, consumo excessivo de álcool e cafeína. A mulher deve ser orientada a mudar o estilo de vida. Além de diminuir ou suspender o consumo das substâncias citadas, deve ser incentivada a fazer exercício físico moderado e controlar o peso.

Apesar dos progressos verificados na investigação das causas de AR, cerca de metade dos casos permanece sem nenhuma explicação. Uma possibilidade de se atingir o sucesso de gravidez nestes casos é a fertilização in vitro com diagnóstico pré-implantatório, para diagnosticar alterações cromossómicas do embrião. Só os embriões saudáveis serão transferidos para o útero e a possibilidade de abortamento será menor.

A mulher que teve AR, não deve abandonar o sonho de ser mãe. Cabe aos obstetras diagnosticar e tratar causas identificáveis, e acarinhar e dar todo o apoio psicológico. A possibilidade de ter uma gravidez normal após 3 abortamentos consecutivos pode chegar a 70%.

Dr.ª Teresa Coelho (OM34811), Ginecologista/Obstetra no Trofa Saúde Hospital da Boa Nova e Maia

Voltar

07 setembro 2020

Implantes dentários: devolução da estética, função mastig...

02 setembro 2020

Apneia Obstrutiva do Sono: uma doença grave mas tratável

24 agosto 2020

Como tratar o Refluxo Gastroesofágico