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02 setembro 2020

Apneia Obstrutiva do Sono: uma doença grave mas tratável

A Apneia Obstrutiva do Sono é caraterizada por episódios de obstrução das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em paragens respiratórias. É uma doença muito frequente que pode afetar até 24% das mulheres e 50% dos homens. Em Portugal, existe um elevado número de casos não diagnosticados.

Os principais fatores de risco são o excesso de peso, idade avançada, sexo masculino, menopausa e fatores genéticos. De facto, nos familiares de primeiro grau, o risco de terem também a doença é duas vezes maior. Esta doença tem consequências cardiovasculares importantes para além de interferir na qualidade de vida. Assim, é fulcral estar atento aos sintomas mais frequentes.

Os sintomas incluem o ressonar, episódios de engasgamento/sufocamento durante o sono, pausas respiratórias descritas pelo(a) parceiro(a), sonolência diurna excessiva, nictúria (urinar frequentemente durante a noite), diminuição da concentração, irritabilidade, fadiga, perda de memória e até dores de cabeça pela manhã.

A Roncopatia (ressonar) resulta da vibração das estruturas das vias aéreas superiores colapsadas, durante a passagem do ar. É um sintoma frequente e é muitas vezes motivo de problemas conjugais ou sociais.

A sonolência durante o dia pode constituir um risco quando surge durante atividades como a condução ou profissões de risco (ex: condutores de autocarros). O risco de acidente de viação é duas vezes maior nos doentes com apneia obstrutiva do sono. A sonolência é sobretudo sentida durante o repouso ou em atividades monótonas, como ler ou ver televisão. No entanto, o doente pode não sentir qualquer tipo de sonolência e ter uma apneia do sono grave. A insónia pode também estar presente, sobretudo nas mulheres, assim como a depressão, descrita em cerca de um quarto dos doentes.

As paragens respiratórias, causadas pelo colapso das vias aéreas superiores, levam à queda dos níveis de oxigénio no sangue. Se estas quedas na oxigenação ocorrerem de forma repetida, o risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares aumenta, nomeadamente, a hipertensão arterial, o enfarte agudo do miocárdio, arritmias, insuficiência cardíaca e o AVC. O risco de morte é maior quando a doença não é tratada.

Para o diagnóstico desta doença deverá ser avaliado por um especialista em Medicina do Sono e deverá realizar um estudo do sono (polissonografia) que, na maioria dos casos, poderá ser feito no domicílio. Este exame, realizado durante uma noite avalia os seguintes parâmetros: respiração, qualidade do sono, movimentos corporais, oxigenação do sangue, frequência cardíaca, entre outros.

O tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono irá depender da gravidade da doença. O tratamento de primeira linha passa pelo uso, durante o sono, de um ventilador que aplica uma pressão positiva nas vias respiratórias, impedindo o seu colapso. Este é o tratamento mais eficaz para casos graves, controlando os sintomas. Existem também casos de apneia que surgem apenas em decúbito dorsal, chamada Apneia Obstrutiva do Sono Posicional. Neste tipo de apneia, pode ser usado um dispositivo eletrónico que emite uma vibração quando o doente se encontra na posição de decúbito dorsal, levando a uma mudança de posição.

Finalmente, alguns casos com menos gravidade podem ser tratados pela Medicina Dentária com uso de dispositivos intra-orais que avançam ligeiramente a mandíbula, aumentando o espaço para a passagem de ar ao nível da garganta de forma a manter aberta a via aérea durante o sono.

É extremamente importante estar atento aos sintomas para tratar de forma atempada e prevenir as complicações da doença.

Redigido por Dr.ª Silvia Pais Correia (OM43249), Pneumologista e Coordenadora do Laboratório de Sono do Trofa Saúde Boa Nova (em Matosinhos) e Maia

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