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25 abril 2021

Malária: um risco para o viajante para áreas endémicas


A malária é uma doença infeciosa, de notificação obrigatória, causada por um protozoário, chamado Plasmodium. As 5 espécies de Plasmodium causadoras de doença humana são o P. falciparum, P. vivax, P. ovale, P. malariae e, mais recentemente, P. knowlesi. Os mais relevantes, pela sua prevalência e implicações clínicas e terapêuticas, são o P. falciparum e o P. vivax. É transmitida ao homem pela picada do mosquito fêmea do género Anopheles.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2019, foram registados, no mundo, 229 milhões de casos de malária e 409 mil mortes, a maioria na África Subsaariana e em crianças até aos 5 anos. Na UE, segundo o ECDC, foram notificados 8347 casos e, exceto 14 casos autóctones, todos foram casos de importação.

A malária foi erradicada, em Portugal, no fim da década de 50, embora tenha sido um grave problema de Saúde Pública e uma causa importante de doença no início do século XX, quando ocorriam milhares de casos por ano. Hoje, é uma doença do viajante, contraída em regiões endémicas no decurso de viagens. No país, registam-se, em média, 125 casos por ano.

A malária é uma doença febril aguda que surge após uma incubação variável. Habitualmente, o período entre a picada do mosquito e o desenvolvimento de sintomas é de 1-2 semanas, embora possa ser de meses a anos. Manifesta-se com arrepios, intensos e recorrentes, que se prolongam por várias horas, seguida de febre alta com duração de várias horas e sudação profusa. Outros sintomas comuns são: adinamia, anorexia, cefaleias, mioartralgias, diarreia, vómitos, entre outros.

Em alguns casos, a doença pode ter evolução fulminante e progredir para a morte em 24 horas, se não for diagnosticada e tratada precocemente. A forma grave da doença é mais comum em crianças, grávidas, imunodeprimidos, migrantes e viajantes não imunes. Nestes casos, é habitual a anemia, icterícia, esplenomegalia, obnubilação, coma, convulsões, défices neurológicos e disfunção multiorgânica. O diagnóstico apoia-se na identificação do parasita e sua quantificação no sangue periférico – esfregaço sanguíneo e gota espessa, sendo o resultado conhecido em cerca de 30 minutos. A deteção de antigénios específicos ou material genético do parasita é outra opção.

A malária é uma doença que pode ser prevenida e tratada com sucesso se cumpridos as medidas de prevenção e o diagnóstico precoce. É uma emergência médica, impondo uma terapêutica imediata com fármacos antimaláricos, administrados por via oral ou endovenosa, e suporte de funções vitais, de preferência, em meio hospitalar.

O controlo de vetores é a medida mais importante para prevenir a doença e a quimioprofilaxia uma opção em áreas de elevada a moderada endemicidade. Não há vacina eficaz contra a malária, pelo que a quimioprofilaxia de viajantes, complementada por medidas de proteção contra a picada por mosquitos, é fundamental.

Salienta-se, assim, a importância de aconselhamento a viajantes, dando a conhecer os riscos e os modos de prevenção em consulta de Medicina do Viajante, assim como a observação médica imediata, em caso de ocorrência de doença.

Prof. Doutor António Mota Miranda (OM13358), Médico especialista em Infeciologia/Doenças Infeciosas no Trofa Saúde Boa Nova

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